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Eleição 2026


Estamos no processo eleitoral de 2026. No dia 4 de outubro, 157,1 milhões de eleitores e eleitoras definirão o Poder Legislativo e o Poder Executivo nos 26 Estados, no Distrito Federal e na União.

O 1º voto será para Deputado/a Federal. Na urna eletrônica serão 4 dígitos e confirma para escolher um/a representante à Câmara Federal. A Câmara Federal é composta por 513 deputados/as que representam os interesses do povo do seu estado. Assim, os 34,1 milhões de eleitores/as de São Paulo estão representados/as por setenta deputados/as federais, o limite máximo de representação, enquanto os 577 mil eleitores/as do Amapá, por exemplo, são representados por 8 deputados/as.

O 2º voto será para Deputado/a Estadual. Na urna eletrônica serão 5 dígitos e confirma para escolher um/a representante à Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A ALESP é composta por 94 deputados/as estaduais.

O 3º voto será para Senador/a. Na urna eletrônica serão 3 dígitos e confirma para escolher um/a representante ao Senado Federal. No Senado Federal a representação é federativa, ou seja, cada Senador/a representa seu estado. Por isso, são 3 representantes para cada um dos 26 Estados e do Distrito Federal totalizando 81 senadoras/es. No Senado o mandato é de 8 anos com renovação alternada a cada 4 anos. Assim, neste ano elegeremos 2 Senadores/as.

O 4º voto, portanto, será para Senador/a novamente. Serão mais 3 dígitos na urna eletrônica e confirma.

O 5º voto será para Governador do estado de São Paulo. Serão mais 2 dígitos e confirma. O governador eleito será o chefe do Poder Executivo Estadual por 4 anos.

O 6º e último voto será para escolher o Presidente da República. Serão mais 2 dígitos e confirma. O Presidente da República Federativa do Brasil assumirá a chefia do Poder Executivo Federal por mais quatro anos.

Seis escolhas e 25 toques na urna eletrônica se não houver erro, correção e outra digitação. Esse número pode ser menor no caso de voto na legenda. Leve um papel com os números da sua preferência na ordem de votação.

Mas isso em 4 de outubro. Enquanto isso, pense bem pra decidir seu voto. Um aspecto importante é a biografia do/a candidato/a, sua trajetória na vida pública, sua trajetória política e eleitoral. A política real se faz por gente viva, corpos vivos com suas imperfeições, a política real não é feita por deuses e deusas, tampouco por seus representantes aqui na terra. Vivemos numa democracia representativa, o que quer dizer que o/a eleito/a representará milhares de eleitores/as no espaço institucional, ocupará em nosso nome um importante espaço de poder político. Procure saber dos compromissos assumidos, os grupos de interesse representa. Não caia em conversinha fiada, não acredite em propostas vazias, nos lacradores das redes sociais e no quanto pior, melhor. O Brasil é um país soberano, não entregue nossa soberania para um Laranja qualquer.

Os resultados dessa escolha serão sentidos por todos nós durante os 4 anos do mandato, 8 anos no caso do Senado Federal.

Ivan Rubens – educador.

Olhando Belém

para uma experiência mais interessante, leia o texto ouvindo a canção

clique aqui: 


Uma canoa, um peconheiro tirando açaí, uma paisagem vista do barco no trajeto Santarém (PA) - Santana/Macapá (AP). Vídeo de Maria Pacheco.



Nilson Chaves é um artista brasileiro. Amazônida de Belém, é instrumentista, cantor e compositor. Em sua voz suave e marcante, conheci "Sabor Açaí", "Olho de Boto", "Não Vou Sair", canções que apresentam uma perspectiva da Amazônia. Segundo Chaves, quando o paulista Celso Viáfora esteve em Belém para um show de ambos com Vital Lima, seu primeiro contato com a Amazônia inspirou a canção “Olhando Belém”. Ele se coloca na letra, dizendo assim:


O sol da manhã rasga o céu da Amazônia / Eu olho Belém da janela do hotel / As aves que passam fazendo uma zona / Mostrando pra mim que a Amazônia sou eu / E tudo é muito lindo / É branco, é negro, é índio…


Se imagine num quarto de hotel olhando o amanhecer em Belém. O Sol raiando no horizonte, a passarada fazendo algazarra, os rios, as ilhas, as baías ganhando as cores da manhã. Viáfora nos apresenta uma cenário muito lindo: “É branco, é negro, é índio”.


No Rio Tietê mora a minha verdade / Sou caipira, sede urbana dos matos / Um caipora que nasceu na cidade / Um Curupira de gravata e sapato / Sem nome e sem dinheiro / Sou mais um brasileiro…


Celso Viáfora é paulistano. Ele se denomina “caipira com sede urbana dos matos”, caipora, “um Curupira de gravata e sapato”. Me identifico muito com este trecho da canção, exceto pela gravata e pelo sapato. E penso sobre a verdade: existe uma verdade? Se sim, onde mora a verdade? Onde mora a minha verdade? Onde mora a tua verdade? Gosto mesmo é de pensar que a verdade, seja ela qual for, mora num rio. A verdade limitada pelas margens, a verdade em fluxo que vai das nascentes até a foz. A verdade que erode e sedimenta, a verdade que arrasta, carrega, movimenta.


Olhando Belém enquanto uma canoa desce o rio / E o curumim assiste da canoa um Boeing riscando o vazio / Eu posso acreditar que ainda dá pra gente viver numa boa / Os rios da minha aldeia são maiores que os de Fernando Pessoa


Entre comigo na cena: uma pequena canoa descendo um rio imenso, dentro da canoa um curumim olhando para o alto, olhando para um grande avião riscando do céu azul. O que passaria na cabeça desta criança? O que pensaria o curumim? Olhando da janela do avião, o que tu pensarias se visse lá do alto uma canoa e um curumim singrando o rio?




Em ‘O Guardador de Rebanhos’, Alberto Caeiro (Fernando Pessoa) fala do rio Tejo, e diz que os rios da sua aldeia são maiores. Certamente não fala da dimensão física mas de sua singularidade: são maiores por serem únicos. São únicos porque carregam um tanto do Caeiro e do Pessoa. 


Molhando os meus olhos de verde e floresta / Sentindo na pele o que disse o poeta / Eu olho o futuro e pergunto pra insônia / Será que o Brasil nunca viu a Amazônia? / E vou dormir com isso / Será que é tão difícil?


É desta Amazônia que o artista está falando: uma Amazônia produtora de sentidos, de emoções, uma Amazônia belíssima que, ao tocar o artista, se faz poesia. 


E o sol da manhã rasga o céu da Amazônia…


Olhando Belém é uma canção de Celso Viáfora lindamente interpretada por Nilson Chaves. Aproveite para ouvir “Coração Sonhador”, outra belíssima canção de Nilson Chaves.


Ivan Rubens


Publicado no Jornal Cidade de Rio Claro em 04 de agosto de 2026.



 

Fotos de Maria Pacheco.



Olhando Belém com Nilson Chaves


Com Celso Viáfora e Nilson Chaves

vídeos de Nilson Chaves e Celso Viáfora disponíveis no youtube.