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Ao que vai chegar

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“Ao que vai chegar” é uma canção criada por Toquinho e Mutinho. Toquinho é cantor, compositor e violonista brasileiro nascido em São Paulo. Mutinho, seu parceiro nessa canção, é compositor e baterista. A canção foi tema de abertura da novela “Livre pra Voar” (1984/85). Consta que Toquinho esperava a chegada do filho Pedro. Os artistas têm um jeito todo especial para lidar com suas emoções e sentimentos e, neste caso, eles fizeram uma espécie de carta ao filho em forma de canção. Sendo uma canção, o público também tem acesso a essa carta de amor de pai para filho. A canção começa assim:

Voa, coração / A minha força te conduz / Que o Sol de um novo amor em breve vai brilhar / Vara a escuridão, vai onde a noite esconde a luz / Clareia seu caminho e acende seu olhar / Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia / Colhe a mais bela flor que alguém já viu nascer / E não esqueça de trazer força e magia / O sonho e a fantasia, e a alegria de viver

A canção fala de uma força que alimenta o desejo de viver. Fala de um amor que ilumina um caminho, que acende o olhar. Fala de uma flor bela, pede magia, sonho, fantasia e alegria de viver. A canção continua:

Voa, coração / Que ele não deve demorar / E tanta coisa a mais quero lhe oferecer / O brilho da paixão, pede a uma estrela pra emprestar / E traga junto a fé num novo amanhecer

As duas partes da carta_canção iniciam com a expressão: “voa, coração”. Mas como assim, voa coração? Coração não tem asas… Se Toquinho estiver chamando Pedro por "coração”, o pai diz ao filho para voar. Voar na imensa aventura da vida num céu iluminado. Assim como uma larva rompe o casulo e se transforma numa borboleta livre pra voar. A exemplo da borboleta, Pedro passará por mudanças. Essa metáfora da metamorfose desde o casulo até a borboleta revela que surpresas estão reservadas para Pedro.

Um dia o pequeno Pedro irá para a escola. Na escola, o mundo de Pedro se ampliará. Pedro conhecerá outras crianças, Pedro conhecerá os livros, Pedro conhecerá professoras e professores, as relações de Pedro ampliar-se-ão muito e rapidamente. Muita coisa mudará a vida do Pedro. A escola pode ser uma metamorfose para Pedro, rompendo o casulo poderá voar pela imensidão do céu azul como a borboleta. Mas a escola também pode mantê-lo preso nos limites do casulo. Que escola nós, professores e professoras, estamos oferecendo? escola casulo ou escola borboleta?

A canção Termina assim:

Convida as luas cheia, minguante e crescente / E de onde se planta a paz / Da paz quero a raiz / E uma casinha lá onde mora o Sol poente / Pra finalmente a gente simplesmente ser feliz

Tem professores muito profissionais. E tem professores que são amadores: amam a vida e o mundo, amam o conhecimento e as gerações que estão na escola e que vão chegar. Estar na escola com amor "pra finalmente a gente simplesmente ser feliz" (mesmo que breve).

Ivan Rubens
Publicado no Jornal cidade de Rio Claro em 9 de junho de 2026

Voa coração


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Escola é uma invenção humana, ela não existia até o dia em que algumas pessoas inventaram uma escola. Por milhares de anos, ela veio se transformando até chegar a isso que entendemos por escola hoje. Embora não seja obra da natureza e sim uma obra da cultura, podemos pensar a escola como um sol: a escola nasce toda manhã, ilumina com sua luz, aquece com seu calor, e repousa num horizonte encerrando os dias.

Conheço gente apaixonada por escola. É uma rotina cansativa? é! Tem problema? tem! É difícil? É! Dá vontade de desistir? de vez em quando, dá! Também conheço gente apaixonada pela arte. O cantor Toquinho é apaixonado pelo filho, Pedro. Na canção “Ao Que Vai Chegar”, Toquinho fala da expectativa da chegada de Pedro. A canção diz assim:

Voa, coração / A minha força te conduz / Que o Sol de um novo amor em breve vai brilhar / Vara a escuridão, vai onde a noite esconde a luz / Clareia seu caminho e acende seu olhar / Vai onde a aurora mora e acorda um lindo dia / Colhe a mais bela flor que alguém já viu nascer / E não esqueça de trazer força e magia / O sonho e a fantasia, e a alegria de viver

Já pensou que triste o dia sem o sol? nem dia seria. Podemos pensar a escola como o sol, ilumina a vida da gente. A escola pode nos tirar das trevas da ignorância, pode nos trazer às luzes do conhecimento. Mas podemos fazer uma metáfora apaixonante da escola: a gestação.

Voa, coração / Que ele não deve demorar / E tanta coisa a mais quero lhe oferecer / O brilho da paixão, pede a uma estrela pra emprestar / E traga junto a fé num novo amanhecer

Uma mulher soube que estava grávida. A iminência da terceira criança provocou um susto. Quarenta semanas depois nasce o bebê. Deu trabalho? Deu! Foi um desafio? Foi! A mulher pensou em desistir, em abandonar tudo e sair correndo? Provavelmente sim, pelo menos em algum momento. Mas a mulher deu o bebê à luz. A criança nasceu, sentou, engatinhou, andou, cresceu. Ainda criança, conheceu uma escola. Entrou na escola e não saiu mais: educação infantil, ensino fundamental, médio, superior. Fez exercícios de repetição, cresceu nos estudos, cresceu na sua capacidade de pensar e de realizar trabalhos, hoje ela é professora. Se em algum momento a mãe deu à luz uma vida, a escola deu tempo e espaço para estudar, pensar, conhecer uma série de coisas. Mas essa breve história poderia ser diferente se a mãe tivesse desistido: não haveria bebê. Essa história poderia ser diferente se a escola tivesse desistido dela: não haveria uma estudante e uma professora. Um ciclo de vida seria um ciclo de não vida. A canção termina assim:

Convida as luas cheia, minguante e crescente / E de onde se planta a paz / Da paz quero a raiz / E uma casinha lá onde mora o Sol poente / Pra finalmente a gente simplesmente ser feliz

A escola ilumina a caminhada da vida. A escola pode trazer as pessoas para um mundo diferente e possível. Iluminando um caminho pedregoso e cheio de desafios, a escola é lugar fundamental para pensar que a sociedade pode ser diferente, portanto podemos criar um mundo novo e uma vida melhor para todos e todas. “Pra a gente ser feliz”. Minhas irmãs são professoras-raio-de-sol que dão asas a corações.


Ivan Rubens
Publicado no Jornal cidade de Rio Claro em 1 de outubro de 2025